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quarta-feira, 8 de setembro de 2010

O que Jesus diria sobre o caso Isabella Nardoni?



Quem não tem acompanhado o caso Isabella? A mídia nos tem bombardeado há mais de 1 mês com esse caso, acompanhando cada passo desse trágico e misterioso assassinato de uma menina de 5 anos jogada do 6º andar de um prédio. Segundo as notícias que recebemos da mídia, a polícia tem provas suficientes para indiciar o pai e a madrasta de Isabella por homicídio qualificado, mas os advogados do casal trabalham na hipótese de uma terceira pessoa no local do crime que teria assassinado a menina. E do jeito que a mídia conduz as notícias - interpretando o caso e nos induzindo a condenar o casal – houve uma comoção nacional fazendo a população se autojustificar dando seu veredito com sede de vingança e ódio.


Diante disso, o que Jesus diria sobre o caso Isabella? Em Mateus 5:21-26 lemos Jesus interpretando o espírito do mandamento “não matarás”. Jesus nos alerta que, para os religiosos, a interpretação desse mandamento reduzia o homicídio à morte física. Assim como nós, os religiosos enchiam seus corações de justiça própria – porque nunca mataram fisicamente ninguém - apontando o dedo condenatório na cara dos homicidas. Além disso, a maior motivação do coração dos religiosos em não matar ninguém fisicamente era o medo e a culpa de “quem matar estará sujeito a julgamento”. Então, o jeito dos religiosos reprimirem o homicídio era a punição. Mas esse tipo de repressão produz uma mudança falsa de fora para dentro.

Ao se deparar com esse quadro de interpretação da letra da lei, Jesus chega e acaba com essa incorreta versão religiosa da lei, interpretando e cumprindo o espírito da lei do jeito da vontade de Deus. Ao fazer isso, Jesus revela e desnuda o coração pecador do homem para transformá-lo verdadeiramente de dentro para fora. Jesus nos ensina que o homicídio é criado dentro do coração pecador antes de ser consumado de fato pelas mãos. E assim, todos nós, sem exceção, somos homicidas pela natureza de nosso coração pecaminoso. Diante disso, Jesus diz que existem três maneiras de matar o próximo:  

(1) A ira mata – “Eu, porém, vos digo que todo aquele que [sem motivo] se irar contra seu irmão estará sujeito a julgamento...” Este é o sentimento de ira que leva ao ódio.  

2) A ofensa mata – “...e quem proferir um insulto a seu irmão estará sujeito a julgamento do tribunal...” Esta é a ira expressa em violência verbal.  

(3) O desprezo mata – “e quem lhe chama: Tolo, estará sujeito ao fogo do inferno”. ( “Tolo” é o termo aramaico para desprezo, indiferença). Esta é a ira que exclui o próximo e cruza os braços deixando-o morrer agonizando de dor.

Em resumo, Jesus diz que a ira, a ofensa e o desprezo matam a alma do próximo da mesma forma de quem mata o outro fisicamente. Porque, para Jesus, “de dentro, do coração dos homens, é que procedem os...homicídios...” (Mc 7:21) quando excluímos o próximo da nossa vida ao ferir o seu coração com ira, ofensa e desprezo. Com isso, Jesus nos diz: Atire a primeira pedra no casal Nardoni quem nunca jogou alguém do 6º andar de nossas vidas. Ao ouvir essas palavras de Jesus, entendo que em muitos momentos nossa ira, ofensa e desprezo jogam muitas pessoas do 6º andar de nossas vidas.

Assim, ouso dizer que somos a terceira pessoa do caso Isabella quando nos justificamos ao condenar o casal com ódio e vingança. E ainda, quando nos esquecemos que, segundo Jesus, somos tão homicidas quanto quem joga uma criança do 6º andar. Perceba como Jesus nos leva a sondar nosso próprio coração para enxergarmos a nossa natureza pecaminosa de homicidas em potencial e nossa extrema carência de sua graça redentora.  É nesse momento que a graça de Cristo surge ao indicar duas soluções para te libertar das grades do homicídio.
(1) Se você tem jogado fora algumas pessoas da sua vida “deixe perante o altar a tua oferta, vai primeiro reconciliar-te com teu irmão; e, então voltando, faze a tua oferta” (Mt 5:24), porque sem reconciliação com teu irmão não há verdadeira adoração.

(2) Ou se você é quem está sendo jogado fora da vida dos outros, “vá e, a sós com ele, mostre-lhe o erro. Se ele o ouvir, você ganhou seu irmão.” (Mt 18:15). Ou seja, Jesus deseja a ressurreição daqueles que matam e/ou morrem na guerra dos relacionamentos.

Cristo chama tanto o ofendido quanto ao ofensor a vencer o orgulho, tomando, cada um, a iniciativa de mostrar a outra face do perdão com a reconciliação. Ofereça o perdão que você recebeu de Deus perdoando e reconciliando-se com seu próximo. Imite a Cristo dizendo: “Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que estão fazendo” (Lc 23:34). Isso quer dizer que negar perdão é destruir a ponte que você já passou e tem que passar todos os dias. Por isso, não deixe a reconciliação para amanhã se você pode fazer hoje. Amanhã pode ser tarde demais.


Em Cristo, em quem temos o ministério da reconciliação

Jairo Filho

OBS: Texto escrito em março de 2008.

Assista o BBB


Assista o BBB e aprenda que a vida é um jogo e uma guerra; e que as pessoas com quem convivemos não passam de nossos inimigos e adversários.

Assista o BBB e aprenda que 1 milhão de reais vale mais do que um bom relacionamento com as pessoas. Se a vida é uma competição e o prêmio é muito dinheiro, então se apresse para aprender a arte da guerra contra o próximo no BBB. Assim, o próximo é considerado apenas um trampolim utilitário para se ganhar muito dinheiro.

Assista o BBB e, inconscientemente, você sairá da sua casa e da sua vida real para entrar e morar na casa mais famosa do Brasil. Você perceberá que perderá o caráter para ter vida dupla, duas caras, duas máscaras em frente às câmeras da reputação social. Essa é a diferença entre assistir filme e BBB: Há filmes que você não passa de telespectador passivo. Já no BBB, como há interatividade, você é mais um na casa. E este é o grande perigo.

Assista o BBB e será despertado ódio por pessoas que você nunca teve um relacionamento pessoal. Então, você vai perceber que estará avaliando a pessoa, não pela transparência do caráter, mas pela aparência da imagem da reputação de um “reality show” de falsidade. Já percebeu os critérios que você usa para julgar e colocar as pessoas no paredão e excluí-las da sua vida?

Assista o BBB e perceba como você gasta muito dinheiro com ligações para participar diretamente da casa e excluir quem você não gosta. Por que você não usa esse dinheiro para ajudar alguém e/ou consagrar para a obra de Deus? Você já percebeu que a ligação é para expulsar alguém da casa? Percebeu que a ligação é uma arma de guerra contra quem você quer matar? Percebeu que o BBB te torna, no coração, um homicida virtual e midiático? Percebeu que você aprenderá a colocar as pessoas no paredão de execução quando você não gostar mais delas? (Des)ligue-se de alguém para matá-lo. Esse é o lema do BBB. Quer aprender? Então ligue. E assim faça um chacina no paredão de execuções.

Assista o BBB e perceba que a tua torcida sempre dá mais audiência para quem é mais safado, vingativo, traidor, malandro, dissimulador, mesquinho, egoísta, bêbado, erótico-sensual.

Assista o BBB e perceba que todos os jogos fabricam um ambiente de partidarismo, panelinha, fofoca, traição, guerrilha, armadilha, manipulação, bajulação, ciúmes, ira, ambição egoísta, discórdia, inimizade, rivalidades, inveja, glutonaria, orgias; enfim, um ambiente perfeito para as obras da carne (Gl 5:19 – 21).

Assista o BBB e você não vai encontrar "amor, alegria, paz, paciência, benignidade, bondade, fidelidade, amabilidade e domínio próprio" (Gl 5:22 – 26); pois o fruto do Espírito de Jesus não dá pontos no Ibope. Você acha que Jesus participaria e/ou assistiria todos os dias o BBB?

Assista o BBB todos os dias e pergunte a si mesmo: Por que o BBB me atrai tanto? Por que priorizo na minha agenda assistir o BBB e não reservo o mesmo tanto de tempo para orar e ler a Bíblia? Por que dou mais audiência a brigas, discórdias, vingança e barracos no BBB do que uma boa conversar de amor, perdão e comunhão com a família e amigos? Por que prefiro escutar as mensagens de intrigas, traição, bajulação e vingança do que cultuar a Deus na igreja com meus irmãos? Acredito que o BBB revela a natureza pecaminosa do ser humano. E além de revelar, o BBB desperta, incentiva e aprova o pecado.

Assista o BBB e, inconscientemente, transfira tudo o que você aprendeu para sua casa, trabalho e igreja. E desse jeito você fará uma grande guerra. É assim que você quer conviver com as pessoas?

Enfim: Assista o BBB e transforme sua televisão no vaso sanitário da Globo que descarrega toda diarréia do Diabo na sua casa, mente e nos seus relacionamentos.

Pense nisso!

Em Cristo, que nos fez irmãos pelo alto preço do seu sangue derramado na cruz e não "Big Brothers" que derramam o sangue um do outro para ganhar a todo custo um milhão de reais.

Jairo Filho

Faculdade BBB

Já foram abertas as inscrições da Faculdade Big Brother Brasil para todo o povo brasileiro. Apesar de está ainda com o mesmo curriculum, no mesmo endereço e na mesma data, o BBB está com novos professores, salas de aula com novo designer, nova didática e ainda oferece 1 milhão de reais para o melhor professor.

As aulas estão sendo ministradas por um corpo docente indecente mais sarado do que nunca. Nos módulos de 2008 o reitor-guru Pedro Bial selecionou professores que tem um gabarito de alto nível de sensualidade, ignorância, ganância, luxúria, hipocrisia, vingança, elucubrações maquiavélicas, inveja, intrigas, mentiras e calúnias. Estes professores têm a missão de formar um corpo discente e indecente de vouyeristas em 12 semanas de aulas. Os alunos terão 3 módulos no curriculum: FILOSOFIA MAQUIAVÉLICA, PSICOLOGIA DA OBSESSÃO E ESTÉTICA HEDONISTA. Vejamos o perfil de cada módulo:

Módulo 1: FILOSOFIA MAQUIAVÉLICA – Estas aulas ensinam a arte da guerra social em alguns temas-princípios como: (1) Elaborando estratégias de guerra; (2) Como ser um vencedor que não tem piedade dos adversários; (3) Pise no outro para subir na vida; (4) Olho por olho, dente por dente: nunca ofereça a outra face do perdão; (5) A crueldade política da traição e da bajulação: a melhor armadilha do jogo; (6) A vida é um jogo, e que vença o melhor dos piores; (7) O mundo é dos mais fortes; (8) 12 golpes para eliminar seu adversário; (9) Hipocrisia: a melhor máscara para ser o líder; (10) Como ser o grande irmão do Brasil manipulando os votos do público; (11) Aprendendo que 1 milhão de reais vale mais que as pessoas.

Módulo 2: PSICOLOGIA DA OBSESSÃO - Este módulo tem o propósito de despertar alguns estados emocionais obsessivos nas seguintes aulas: (1) raiva, ódio e rancor: a escalada do sucesso; (2) Os 7 desejos capitais da vingança; (3) Desfrutando o ócio criativo da fofoca; (4) A fantasia da dissimulação: Se fazendo de vítima para fazer vítimas; (5) Cultivando temperamentos descontrolados no enclausuramento; (6) Rodando a baiana e fazendo barracos chiques e famosos; (7) Máscaras do “EU” em frente as câmeras; e, (8) Como julgar a aparência do adversário sem conhecê-lo.

Módulo 3: ESTÉTICA HEDONISTA – Este módulo tem o objetivo de supervalorizar o prazer físico como o centro da vida nas aulas que tem os seguintes temas: (1) 7 passos para ser uma mulher-objeto e pousar na “play-boy” e em “caras”; (2) Libertinagem de Tezão; (3) Rapidinhas com (in)segurança; (4) Etiqueta nas festas; (5) Glamourização da luxúria; (6) Desfile de corpos siliconados; (7) Como preparar drinques diários de adrenalina e endorfina; e, (8) sacanagens, palavrões, espertezas: a trilogia do ibope.

As aulas estão sendo ministradas ao vivo toda noite durante 12 semanas, seja via internet ou televisão. E os professores estão à sua disposição durante 24 horas mostrando os mais variados exemplos de como viver na prática todas as lições ensinadas. Além disso, o “aluno-telespectador-internauta-vouyerista”, que participar mais ativamente das aulas e praticar todas as lições com as pessoas de sua convivência durante a semana, receberá um diploma especial da Faculdade Big Brother Brasil.

Você quer que seu caráter, sua mente e seu comportamento sejam formados pela Faculdade Big Brother Brasil? Você quer que seus relacionamentos pessoais e familiares reflitam os relacionamentos do BBB? Você quer que sua igreja seja um Big Brother eclesiástico de cada domingo? A escolha é toda sua. As aulas começaram nesse mês!

Em Cristo, o primogênito entre muitos irmãos
 
Jairo Filho.

Prova do Líder

O reality show mais famoso do Brasil está ensinando um conceito de liderança. Explico: Confinados dentro de uma casa construída pelo alicerce do IBOPE de intrigas, traições, inimizades, barracos, fofocas, vinganças, partidarismos, bajulações - que são requisitos necessários para sobrevivência na casa e audiência do programa – os brothers aniquilam a irmandade e corrompem o próprio caráter em troca de fama e dinheiro. Para ganhar o prêmio final prometido e cobiçado é necessário usar todas as armas (im)possíveis. A convivência dentro da casa se mostra como uma guerra sem trégua, semelhante à vida selvagem dos animais que tem que matar para viver. E é nesse contexto que a liderança da casa surge como o prêmio mais cobiçado e a mais eficiente arma de guerra para fuzilar o adversário no paredão de execuções e continuar dentro da casa concorrendo ao prêmio final.

Ser o líder do BBB só é possível quando se ganha uma prova de resistência ou sorte. Aquele que ganha a prova do líder merece imunidade, privilégios, conforto, direito a indicar seu maior adversário ao paredão de execuções e passar mais dias na casa. Esses direitos definem o que é ser líder. Assim, ser líder é aquele que mata para viver, exclui para ser exclusivo, tem direitos e nunca deveres, é servido pela bajulação e nunca serve para não ser traído, é poderoso e nunca amoroso, vingativo e nunca reconciliador.

Esse conceito de liderança herdado pelo BBB tem sido propagado e aplicado em nossas relações. Quem não quer ser o líder dentro da sua casa? Quem não quer ter o melhor quarto, excluir quem você quiser da sua convivência, mandar e desmandar, ser adulado e bajulado, servido e querido, ter todos os desejos satisfeitos, ter todos aos seus pés e decidir o futuro da convivência na casa? Quem não quer ser o líder para ter todo o poder? A sabedoria popular já nos diz que o verdadeiro caráter de uma pessoa é conhecido quando a pessoa está no poder.

Jesus apresenta seu caráter quando nos ensina um paradigma de liderança extremamente contra a cultura desse reality show. O evangelho de João registra no capítulo 13 a prova do líder. Jesus mostra qual é a prova para saber quem é o verdadeiro líder segundo os critérios do Reino de Deus: Servir. Esta é a prova. Jesus mostra quem é o líder quando fica despido da cintura para cima, de joelhos aos pés dos seus discípulos, com uma bacia de água na mão e toalha na outra. Lavar os pés calejados, sujos, descascados, feridos, empoeirados pelos (des)caminhos da existência. Esta foi a atitude que aprovou e definiu a liderança de Jesus como o líder-servo de todos.

A cena do lava-pés chama a minha atenção por dois motivos:

Primeiro, o serviço de lavar os 24 pés acontece um pouco antes de Jesus ser preso e abandonado pelos que tiveram seus pés limpos pelo serviço do amor. Pedro e Judas que o digam. Mesmo sabendo que iria ser traído e abandonado, mesmo assim, Jesus lavou os pés dos seus aprendizes imaturos, críticos, confusos, incrédulos, frouxos, covardes, medrosos, traidores e fugitivos até o dia em que tocaram no Cristo ressurreto.

Segundo, o que também me chama mais atenção no lava-pés é o que também mais intriga. Pedro rejeitou o serviço de Jesus dizendo: "Nunca lavarás os meus pés". Disse isso, julgando–se não merecedor de tal serviço, ao que recebeu como resposta de Jesus: "Se eu não os lavar, então você não terá parte comigo". A resposta é a mais absurda e extremada reação contra a cultura do líder BBB. Jesus estava ensinando que as únicas pessoas com quem podemos nos relacionar são aquelas a quem lavamos os pés. Pois convivemos com pessoas com pés sujos pelas poeiras da vida. Ninguém tem pezinho de princesa nem de cristal. Andamos por caminhos cheios de pedras. E por isso nossos pés estão machucados com os traumas da caminhada nessa existência cheias de percalços terríveis. Ou seja, se você não está disposto a servir, será impossível conviver e suportar as pessoas em suas imperfeições e crises. Você só pode se relacionar com quem quer que seja se estiver disposto a servir.

É exatamente isso que devemos fazer para prevenir, preservar e consertar relacionamentos: Servir. Assuma o lugar de servo e faça o que ninguém gostaria de fazer. Servir ou o fim do relacionamento. Servir ou viver enterrado no caixão soltário do seu egoísmo mesquinho. Servir ou carregar uma bagagem cheio de memórias de mágoas e tatuagens de ressentimentos profundos no coração. Servir ou matar o outro pela omissão do serviço.

Servir: Esse deve ser o critério para ser líder. Assim, o líder segundo Jesus é aquele que jamais exclui alguém de casa; antes serve para prevenir, preservar e consertar os relacionamentos, em vez de descartá-los e jogá-los fora. Sirva. Pois quem não vive para servir, não serve para viver com você.

Em síntese: somente conseguiremos nos relacionar com as pessoas a quem estivermos dispostos a lavar os pés. Servir é fazer tudo sem ambição egoísta nem por vaidade, mas sim humildemente, considerando os outros superiores a nós mesmos. Servir é cuidar não somente dos nossos interesses, mas também dos interesses dos outros. Assim, quem deseja conviver com a mesma pessoa - pela mesma estrada da vida, por longos anos - precisa saber que em alguns trechos deverá levar seu par no colo, lavar seus pés empoeirados e feridos, conduzí-lo à trilha do caminho da vida, andar no mesmo caminho, mesmo que em passos diferentes. Enfim, servir, sob pena de acabar sozinho na casa com o bolso cheio de dinheiro e o coração vazio de amigos; ou com uma pessoa desconhecida ao lado, cujo fim é a solidão e a morte.

Em Cristo, que veio para servir e não para ser servido.

Jairo Filho

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

A era dos relacionamentos descartáveis


 Vivemos num mundo capitalista de configuração consumista que detesta tudo o que é durável, mas valoriza tudo o que seja de uso instantâneo. No consumismo não se valoriza o acúmulo de bens permanentes – porque priva o consumidor da possibilidade de experimentar novas sensações e isso o leva a frustração e ao tédio – mas usar e descartar os bens em seguida, a fim de abrir espaço para consumir novos bens, usos e novidades mais novas do que um segundo atrás. Assim, uma pessoa bem sucedida é aquela que convive sempre com novidades, variedades e rotatividades. Disso, surge a cultura do descartável e do aluguel. Nessa cultura, você não compra, aluga.
Nossos relacionamentos seguem a mesma mentalidade da cultura do descartável. As pessoas e os relacionamentos se tornam descartáveis quando se aluga o corpo e o coração do outro por motivos utilitaristas. E assim, surge o risco de você ser abandonado pelo seu parceiro, sem o seu consentimento, quando você não for mais útil. Disso, surgem medos, inseguranças, incerteza, trocas, chantagens e superficialidades. Nesses tipos de relacionamentos, o compromisso e a fidelidade são isentos, porque gera privação de novas sensações, experiências, possibilidades. Porque o viver junto é substituído pelo ficar junto até quando houver vantagens, benefícios, satisfação e a libido.
É trágico diagnosticar que a convivência foi substituída pelos encontros episódicos sem compromisso. O casamento foi substituído pela sucessão de romances com taras sexuais. O divórcio foi substituído pelos CSS – casais semi-separados - onde cada um mora na sua própria casa e se encontram apenas na cama, transformando o corpo um do outro apenas num depósito de orgamos. O adultério passou a ser uma aventura necessária para valorizar os (des)casados. As amizades foram substituídas pelas salas de chat e as redes, onde se pode conectar e desconectar a qualquer hora, sem compromisso, promovendo relações fantasiosas ou relações profundas protegidas pelo anonimato da máscara da falsidade.
Nesses relacionamentos descartáveis surge a insaciável expectativa de que o melhor - pessoa, beijo, transa, romance, aventura, paixão, vantagem, lucro - está por vir e que há algo melhor pelo que esperar. Ou seja, uma sensação de insatisfação tipo “não era bem isso que eu queria”. Assim, as pessoas acabam desaprendendo o amor verdadeiro e tornam-se incapazes de conjugar o verbo amar de todo coração. A sensação de que se pode ser abandonado e substituído a qualquer momento provoca ansiedade, insegurança, incerteza, ciúme doentio e isso impede a entrega total; uma vez que se tem a sensação de insatisfação, perda, falta e engano, enquanto se relaciona com os outros.
Fazendo essa leitura da cultura dos relacionamentos descartáveis podemos ter 3 princípios do evangelho para reciclar nossos relacionamentos:
(1) Amor é aceitação incondicional (I Co 13:4) – Ao se relacionar com alguém não espere pessoas prontas, completas e concluídas, mas estimule e caminhe junto à maturidade.
(2) Amor é transformação e realização (I Co 13:5) – Amar não é satisfação egocêntrica. Quando seu relacionamento não estiver satisfatório, não mude de parceiro(a), mas mude a si mesmo e o relacionamento.
(3) Amor é uma eterna caminhada de fidelidade e compromisso que se renovam a cada manhã (I Co 13:7) – Amor não é um episódio ou um encontro virtual esporádico, nem atração física superficial e descartável. Mas é andar junto, é convivência, proximidade, entrega, coração despido de máscaras, intimidade em direção à profundidade do ser amado.
(4) Amor verdadeiro é eterno, porque "nunca perece" (I Co 13:8) - Assim, o amor, segundo os ensinamentos da Palavra de Deus, recicla qualquer relacionamento destruído pela cultura do descartável.
Ame. Amém!
Em Cristo, o amor encarnado
Jairo Filho

Sexo no casamento

Eis algumas razões bíblicas para o sexo no casamento:

1. O sexo no casamento é possível porque Deus criou o ser humano sexualmente atraído pelo sexo oposto. Deus criou todo o corpo humano inclusive os órgãos genitais, “e tudo havia ficado muito bom” (Gn 1:31). Isso significa que Deus criou seres humanos sexuados com o apetite sexual direcionado ao sexo oposto. Ou seja, a atração sexual pelo sexo oposto não é pecado, pois foi criada e desfrutada antes da queda.

2. O sexo no casamento é criação de Deus aprovada por Jesus (Gn 2: 24, Mc 10:6-9, Mt 19:4, 5). Deus criou homem e mulher programados para se tornarem uma só carne na vida sexual do casamento. O sexo no casamento acontece quando o homem e mulher emancipam-se da suas respectivas famílias para formarem outra família. E isto é uma benção de Deus, pois é “muito bom”. Assim, sexo não é pecado, pois, o sexo no casamento é honroso e sem mácula (Hb 13:4). O sexo só se tornou pecado após a queda, quando foi distorcido pelos pecadores que praticam fora dos planos de Deus.

3. O sexo no casamento foi criado por Deus como uma relação heterosexual (Gn 2:23-24,). Isso significa que a sexualidade do casamento, construída sobre a verdade da Palavra de Deus, exclui todas as distorções sexuais surgidas após a queda. Assim, a necrofilia (sexo com cadáveres) e a zoofilia (sexo com animais), desumaniza o padrão divino como uma aberração, porque Deus criou o ser humano para satisfazer-se sexualmente apenas com outros seres vivos da mesma espécie. Assim também, o homosexualismo (relação sexual com pessoas do mesmo sexo), fere o padrão de Deus, porque Deus criou originalmente o homem e a mulher para a satisfação com o sexo oposto.

4. O sexo no casamento é uma relação monogâmica de amor livre e incondicional (I Co 7: 2). O matrimônio monogâmico heterosexual foi criado para o casal se tornar uma só carne de corpo e alma como fruto de um amor livre, verdadeiro, incondicional e indissolúvel. A relação sexual do casamento produz unidade, intimidade, entrega, extensão do ser, complemento mútuo, conhecimento pessoal e espiritual, entrelaçamento de mente, coração, corpo, emoções e sentimentos, satisfação sexual, realização pessoal e felicidade. Assim, o estupro (violência sexual), o sadismo (prazer em fazer sofrer) e o masoquismo (prazer no sofrer) violentam o propósito sexual de Deus, uma vez que o ato sexual deve ser por livre manifestação da vontade com um ato construtivo de afeto, carinho e bem estar físico e emocional. Da mesma forma, a prostituição exclui o amor no sexo conjugal programado por Deus, por ser um ato de barganha, negócio, fonte de remuneração ou recompensa. E também, a masturbação (quando opção permanente da busca solitária e egoísta do prazer, por meio de excitações com mãos ou objetos), o sexocentrismo (lascívia, sexomania, obsessão sexual) o adultério (infidelidade conjugal) ferem o padrão divino da relação recíproca, mútua e conjugal de cumplicidade, entrega e despreendimento do sentimento sexual dado saudavelmente e satisfatoriamente a um único cônjuge por amor (Pv 2:16-19, 5: 15-20, 6: 20-35, 7:6-27).

5. O sexo no casamento é a relação ideal para a reprodução humana saudável (Gn 1:28a). Deus deixou ao ser humano a incumbência e a capacidade da fertilidade para a procriação. E a relação sexual no casamento oferece a santa oportunidade de tornar o casal em pai e mãe e formarem uma nova família. Quando a gravidez surge do casamento, a criação dos filhos tem mais chance de ser mais saudável. Assim, o aborto (homicídio do feto ainda no útero) e o incesto (relação sexual com parentes próximos) ferem o padrão de Deus da procriação na amplitude da espécie, fertilidade, formação de uma nova família e da preservação da vida humana.

6. O sexo no casamento é uma livre relação de prazer sem culpa ou medo. Deus determinou que o ato sexual fosse praticado para o prazer mútuo como fonte de satisfação sexual e realização pessoal. “Alegre-se com esposa da sua juventude...que os seios de sua esposa sempre o fartem de prazer e sempre o embriaguem os carinhos dela” (Pv 5:18, 19). O ato sexual no casamento deve proporcionar prazer e satisfação total aos dois, não praticado apressadamente, e nem deve ser suportado por um dos cônjuges e desfrutado pelo outro. Assim, as carícias e a estimulação mútua formam o prelúdio da harmonia sexual do casal. Porque, o homem e a mulher possuem carências sexuais que devem ser supridas e satisfeitas no matrimônio, uma vez que, o corpo de cônjuge é direito do outro para ambos satisfazerem os apetites sexuais verdadeiramente com amor (I Co 7: 2-5). Dessa forma, o sexo no casamento é o contexto onde a delícia da relação sexual realmente é desfrutada livre das distorções sexuais, complexos de culpas e feridas de alma (Ct 1: 2; 4:7, 9 – 11; 7: 1-10).

Precisa de mais razões?

Em Cristo, que recriou, em santidade por meio de sua cruz, o prazer sexual no casamento heterosexual monogâmico por amor

Jairo Filho

Sugestão de Leitura: "Deus pegou no meu bilau" e "Posição Papai e Mamãe"

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Sexo fora do Casamento




 Eis 10 advertências sobre o sexo fora do casamento:

1. Sexo fora do casamento carrega para o relacionamento uma bagagem de mil memórias e fantasias passadas com outros. Disso, surge insegurança, incertezas, desconfiança, ciúme doentio, engano, cobiças, infidelidade, comparações e a insatisfação consigo mesmo(a) e com parceiro(a).

2. Sexo fora do casamento gera o relacionamento do “ficar” juntos sem compromisso. Isso gera encontros episódicos, superficiais e descartáveis em torno da realização egoísta de performances das taras sexuais.

3. Sexo fora do casamento cria aquela ansiosa sensação de que se pode ser abandonado e substituído a qualquer momento pelo parceiro(a). Assim, você sente nojo de si mesmo, desvalorizado, abusado e usado como objeto descartável.

4. Sexo fora do casamento cria a falsa sensação de privação que gera a curiosidade de ter novas experiências, sensações e gostos. E com isso, surge o medo de ser trocado a qualquer momento por outro melhor após uma breve comparação e conclusão de insatisfação. Ou seja, o sexo no casamento evita o surgimento da insaciável expectativa de que o melhor - pessoa, beijo, transa, romance, aventura, paixão, vantagem, lucro - está por vir e que há sempre algo melhor pelo que esperar. Assim, após experimentar o sexo, surge a sensação: “não era bem isso que eu queria. Acho que tem alguém melhor pra mim”.

5. Sexo fora do casamento cria o “sexocentrismo”. Ou seja, cria um relacionamento centralizado no sexo. Para muitos, a falta de uma constante, intensa, viciosa e frenética relação sexual é a prova do surgimento de diálogos superficiais com trocas e chantagens em nome do prazer. Porque o relacionamento de amor é substituído pelo ficar junto até quando houver trocas, vantagens, benefícios, satisfação, atração e sexo. Ou seja, uma vida em torno do sexo diz que sem sexo é impossível ter relacionamento. Meu amigo Marcos Botelho me fez refletir sobre a matemática do sexo. Ele diz que pesquisas revelam que o tempo médio de uma relação sexual no Brasil é de 5 a 7 minutos 3 vezes por semana. Se aumentarmos esse tempo para 15 minutos, 5 vezes por semana, prevendo que você seja um sucesso na cama, teremos essa conta: 15 min X 5 dias = 75 min X 4 semanas = 5 horas por mês. Agora pense: Você terá 5 horas de puro prazer sexual, mas o que você fará nos outros 29 dias e 19 horas do mês com seu parceiro(a)? Vai brigar e trocar de parceiro(a)?

6. Sexo fora do casamento pode transformar o sexo como único e exclusivo tempero da relação ou como instrumento de solução de problemas do casal. A trilha sonora do romance de muitos casais é: “E de dia a gente briga, mas a noite a gente se ama. As nossas diferenças acabam no quarto em cima da cama”. Depois de muitas noitadas de sexo, o casal vai concluir tarde demais que o sexo não é a cura; mas é, nesse caso, apenas uma anestesia rápida que cria um efeito entorpecente instantâneo e ilusório para a solução dos problemas conjugais.

7. Sexo fora do casamento possibilita a formação de lares desestruturados. Pode surgir a gravidez na adolescência, mães solteiras, filhos órfãos, formação familiar sem estabilidade financeira básica, sem residência emancipada dos paise etc.

8. Sexo fora do casamento gera o risco da contaminação de doenças sexualmente transmissíveis. A cada dia mais aumenta o número de pessoas com a vida na promiscuidade sexual, contaminadas com o vírus HIV e doenças venéreas.

9. Sexo fora do casamento fere a alma com paixões relâmpagos. A maioria dos namoros adolescentes não se transforma em casamento, e assim sendo, são rompidos com muita frustração e rapidez. Na adolescência, é fácil confundir atração sexual e paixão com amor verdadeiro e eterno. Após terem uma relação sexual, o casal experimenta uma super intimidade que logo mais vai ser rompida pela conclusão de que tudo não passou de uma paixão passageira ou que nunca houve amor verdadeiro. Disso, surge a sensação de que o corpo e coração foram usados e abusados como objetos de desejo, num romance casual e passageiro na realização egoísta de fantasias eróticas.

10. Sexo fora do casamento resume o sexo somente à penetração, a libido e instinto animal. A mentalidade pós-moderna tem banalizado, bestializado e desumanizado o sexo como uma relação apenas genitália-genitália divorciada do coração. A glamourização da mídia nas relações sexuais ilícitas como adultério, prostituição, fornicação, pornografia, pedofilia, homosexualismo, sadomasoquismo, vouyerismo, ninfetismo, orgias, incesto, sexo com animais, cadáveres e objetos tem distorcido o sexo como criação abençoada de Deus.

Sabemos que há advertências sobre o sexo fora do casamento. Mas, chega uma hora que um bom psicólogo resolve os traumas, os educadores abandonam as cobranças dos erros, a religiosidade larga as pedras da condenação, os valores morais são relativizados, os pais abandonam a vigilância, as histórias de amor incentivam paixões arrebatadoras, a própria família constrói ninhos de amor debaixo do próprio teto para seus filhos transarem protegidos, a filosofia de vida de nossa sociedade pós-moderna ensina a viver o carpe diem nas relações sexuais na busca pela felicidade custe o que custar e a ciência moderna veste de camisinha a saúde de nossa geração libertando-a para a promiscuidade sexual de relações carnavalescas e descartáveis. Com isso, são abortados os medos, as culpas, as condenações, as vigilâncias e os traumas que são usados como as únicas motivações para impedir o sexo fora do casamento.  E assim, nossa geração vai parindo libertinagem, promiscuidade e prostituição despida de consciência, caráter, sanidade, santidade e verdadeiro sentido de vida. 

Por isso, essa mentalidade libertina relativizada moralmente pela sociedade pós-moderna está tão impreguinada no sexo de nossa geração que estas 10 advertências citadas acima são motivos de chacota ou taxadas de legalismo religioso. 

Assim, creio cada vez mais que a maior motivação para não fazer sexo fora do casamento é a conversão do coração à Deus diariamente expressa em obediência a Deus por amor quando olhamos para a cruz e guardamos os seus mandamentos porque o amamos (Jo 14:21, 23, 24). E o amor gera dois princípios em nossa consciência: Primeiro, o sexo no casamento é para glorificar a santidade de Deus. Segundo, o sexo no casamento é criação de Deus para nossa felicidade. Pois fomos criados para o sexo por amor no casamento que expressa nossa santidade em glorificar a Deus. Quem extrapola esses princípios de vida, simplesmente, morre infeliz, pois está sem Deus e se desumanisa se tornando mais parecido com uma besta fera desfigurada do que com o ser humano regenerado na cruz de Cristo.

Assim, pense nisso e tenha cuidado.
 

Sexo seguro é somente no casamento por amor.
 

Sexo é casamento.
 

Em Cristo, que aprovou e definiu o sexo no casamento
 

Jairo Filho

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Como amar o inimigo sem ser hipócrita?


Sabemos que todo mundo fala de amor. Filmes, histórias, poesia, músicas e livros são alguns exemplos das publicações do amor. E ainda sabemos que em todo relacionamento buscamos amar e ser amados. A família, o casamento, a amizade e as diversas parcerias da vida são cenários das relações de amor. Porém, são nesses mesmos contextos que surgem as maiores crises de relacionamento: ofensas, intrigas, inimizade, separação e clicos de vingança etc.

Diante do desejo de amar e da crise dos relacionamentos, a quem eu devo amar? Essa foi a pergunta feita a Jesus pelo perito da lei (Lc 10:29). Ele pensou: "Se devo amar o meu próximo, quem é o meu próximo? A quem eu devo amar?" Jesus responde a essa pergunta contando a história de dois inimigos de raça, cultura e crenças diferentes que se encontram no caminho da vida. Um deles salva o que estava quase morto pedindo socorro, doando tudo o que tem de melhor para o seu inimigo. Nessa história, Jesus ensina que o próximo pode ser também o inimigo. Isso nos lembra Jesus dizendo: “amai os vossos inimigos” (Mt 5:44).

Diante disso, alguém já perguntou: "Como eu posso amar o inimigo? Se amá-lo, vou ser descaradamente falso". Esse dilema surge porque temos idéias estranhas sobre o amor.

Primeiro temos que pensar sobre os vários significados da palavra amor. Diferentemente da língua portuguesa, o grego apresenta pelo menos 3 palavras para o amor: Phileo é o amor da amizade. Eros é o apaixonado amor entre homem e mulher. E o amor Ágape é o amor divino, resistente, eterno. Phileo e Eros são sentimentos conquistados por merecimento; já o ágape é decisão de amar imerecidamente sem trocas ou reciprocidade. Jesus nos ordenou a exercitar o amor ágape nos relacionamentos quando disse: “Novo mandamento vos dou: que vos amei uns aos outros; assim como eu vos amei, que também vos ameis uns aos outros”. (Jo 13:34). Podemos destacar aqui a lição de que devemos amar uns aos outros com o mesmo modelo, padrão e exemplo do amor de Jesus. Assim, devemos olhar para Jesus e saber como ele amou uns aos outros. Olhando para a vida de Jesus podemos aprender pelo menos 3 lições sobre o significado do amor em nossos relacionamentos:

1. O amor ágape segundo Jesus é muito mais do que gostar de alguém. Amar é diferente de gostar. Devemos amar todo mundo. Isso não significa que devemos gostar de todo mundo. Nós gostamos de algumas pessoas e não gostamos de outras. Mas devemos amar todas as pessoas, inclusive aquelas de quem não gostamos. Você não precisa gostar para amar. Deve inclusive amar sem gostar. Jesus não gostava de seus inimigos religiosos e políticos, porém, amou todos eles. Isso significa que amar não é gostar do inimigo ou ter afinidade com ele. Isso implica que amar não impede de denunciar a injustiça, protestar contra a maldade, reinvidicar os direitos humanos nem disciplinar quem erra. Vemos que Jesus não demonstrou seu amor fazendo serenatas de saudades para os religiosos fariseus, nem escreveu cartas de amor para os ladrões do templo, nem fez homenagens para Herodes. Mas Jesus amou todos eles, inclusive, ao ponto de denunciar o pecado deles e dar sua própria vida para salvá-los. Enfim, Jesus amou seus inimigos, mas não gostou deles, não aprovou seus erros nem se alegrou com as injustiças deles (I Co 13:6).

2. O amor ágape segundo Jesus ultrapassa a convivência íntima. Amar não é necessariamente conviver intimamente com todas as pessoas em todo o tempo e transformar sua casa na “casa da mãe joana”. Aprendemos nos evangelhos que o amor de Jesus respeitava fronteiras e limites de convivência. Jesus vivia distante de seus inimigos religiosos e políticos, era mais formal com a multidão, porém mais próximo dos 70, mais chegado dos 12, mais ligado a 3 (Pedro, Tiago e João) e mais íntimo de um (João – quem encostou a cabeça sobre os ombros de Jesus). Isso significa que não é necessário conviver intimamente com certas pessoas para amá-las. Acredito que existem relacionamentos que devem promover amor numa convivência à distância. Não vemos Jesus comendo pizza com os fariseus, nem indo ao shopping com herodes, nem passeando na praça com os soldados romanos; pelo contrário, Jesus fugia deles. Isso nos diz que Jesus convivia separado de seus inimigos; porém os amou mesmo a distância, a tal ponto de dar a sua vida para realizar a reconciliação pelo seu sacrifício na cruz. Assim, Jesus mandou amar os inimigos e não ter intimidade com eles. Fuja dos inimigos que vos perseguem, porém os ame de longe.

3. O amor ágape segundo Jesus é incondicionado a roupa social, cultural e religiosa. O olhar de Jesus despia a personagem que todos vestiam para olhar o ser humano que cada pessoa é. Ele não enxergava apenas uma adúltera ou prostituta, mas uma mulher carente de amor. Jesus não enxergava apenas um pobre, ou um leproso ou um endemoniado, mas um ser humano carente, doente e oprimido. Jesus não enxergava impressionado apenas o glamour dos cargos políticos nem o status social e religioso dos fariseus, mas ele enxergava um ser humano perdido e morto em seus pecados. Jesus não enxergava apenas um rico, corrupto, cobrador de impostos, traidor e ladrão como Zaqueu, mas enxergava um homem pobre de espírito, com o coração vazio e carente da maior riqueza do mundo, o amor de Deus. Jesus não enxergava apenas o seu inimigo ofendendo, perseguindo e traindo; mas ele enxergava um ser humano doente no caixão do seu egoísmo. Assim, Jesus amou o ser humano despido de sua roupa social, cultural e religiosa. Isso significa que devemos amar o inimigo, porque antes de ser um inimigo, ele é um ser humano. Por isso, podemos amar o inimigo como Jesus amou.

As palavras e a vida de Jesus ecoam nas palavras de Paulo, apóstolo, que diz: “O amor seja sem hipocrisia...Amai-vos cordialmente uns aos outros com amor fraternal,...abençoai os que vos perseguem, abençoai e não amaldiçoeis...se teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer; se tiver sede, dá-lhe de beber, porque, fazendo isto, amontoarás brasas vivas sobre a sua cabeça. Não te deixes vencer o mal, mas vence o mal com o bem”. (Rm 12: 9a, 15, 20 e 21). Assim, podemos concluir que amar não é sentimento, intimidade nem tratamento condicionado à personalidade, mas amar é dar tudo o que somos e tudo o que temos em favor do bem da pessoa amada; mesmo que seja o teu inimigo, mesmo que seja dar aquilo que a pessoa não deseja, mas precise para gerar transformação e vida. Amar é fazer o bem aqueles que não o merecem. Faça isso e reproduza nos seus relacionamentos o que Deus já fez e faz por vc todo dia (Rm 5:8). Lute e vença o mal do ciclo vicioso e ininterrupto da vingança e do ódio com o bem do amor.


Em Cristo, o amor encarnado pelos seus inimigos

Jairo Filho
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