Mostrando postagens com marcador Atualidades. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Atualidades. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 18 de julho de 2011

#EscolhiEsperar


O que o movimento #EscolhiEsperar @EscolhiEsperar tem a dizer a esse texto bíblico e a esse trecho do livro do Ed René Kivitz?

"Quando você fizer um voto, cumpra-o sem demora, pois os tolos desagradam a Deus; cumpra o seu voto. É melhor não fazer voto do que fazer e não cumprir." Eclesiastes 5:4-5.

Em quinto lugar, a religião se torna um caminho para a tolice quando o religioso promete o que não consegue cumprir ou, pior ainda, quando o religioso acredita que vai conseguir cumprir a sua promessa. Esse é um típico apelo da religião à pureza. Quer um exemplo simples? Veja este relato de Ronald Sider:
“True Love Waits (O Verdadeiro Amor Espera), um programa patrocinado pela Convenção Batista do Sul dos Estados Unidos, é um dos mais famosos esforçoes evangélicos para reduzir a atividade sexual entre os jovens antes do casamento. Desde 1993, aproximadamente 2,4 milhões de jovens assinaram um compromisso de esperar até o casamento para terem relções sexuais. Esses jovens estão cumprindo o compromisso? Em março de 2004, pesquisadores das universidades de Columbia e Yale publicaram suas conclusões. Durante sete anos eles estudaram 12 mil adolescentes que assinaram o compromisso. Infelizmente, 88% deles afirmaram terem tido relações sexuais antes do casamento; apenas 12% cumpriram sua promessa. Os pesquisadores constataram também que as taxas de doenças sexualmente transmissíveis foram quase idênticas entre os adolescentes que fizeram o compromisso e os que não fizeram.” O escândalo do comportamento evangélico. Viçosa: Ultimato, 2006, p. 23
A religião também cria sinais externos do seu compromisso, símbolos da sua autoproclamada fidelidade. Promessas feitas para q sejam pagas publicamente. Jesus conhecia isso e recomendou que quem quisesse buscar a Deus o fizesse a portas fechadas.

Fonte: KIVITZ, Ed René - O Livro mais Mal-Humorado da Bíblia - Editora Mundo Cristão, página 88, 89.

Pense nisso! 

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

As torres do coração

Depois de 5 anos, não tem como esquecer que o mundo todo foi abalado na manhã de 11 de setembro de 2001. Os olhos do mundo viram ao vivo, naquele dia, o World Trade Center ser derrubado por dois aviões seqüestrados por terroristas. Em poucos segundos, as torres do coração dos EUA foram derrubadas num certeiro golpe suicida. Os olhos do mundo choraram ao ver milhares de pessoas mortas soterradas debaixo dos escombros das duas torres gêmeas mais famosas do mundo. Esta data ficou gravada para sempre no calendário do mundo. Porque ninguém nunca vai esquecer esse atentado terrorista que vitimou milhares de pessoas em poucos segundos. E porque ninguém vai esquecer esse dia quando a atual nação mais poderosa do mundo vestiu luto e se prostrou de joelhos com a cara na sua própria limitação, vulnerabilidade, fraqueza e finitude diante das tragédias da vida. Após essa tragédia acontecer, os cemitérios dos EUA ficaram lotados, enquanto eram regados por lágrimas e decoradas por flores murchas e tristes. E nos funerais, os cristãos tentavam consolar os parentes das vítimas e explicar essa tragédia inexplicável. Após 5 anos, ainda escutamos o eco deste lamento nos quatro cantos do império estadunidense. E ainda, ninguém conseguiu explicar essa tragédia, e nem vai ser hoje que tentaremos dar alguma explicação. O que podemos dizer é que as torres do coração dos estadunidenses foram derrubadas. E é por isso que até hoje vestimos luto e lamentamos no inesquecível dia 11 de setembro.

Se olharmos para essa tragédia pela perspectiva da morte de milhares de pessoas, pela perspectiva da violência dos terroristas, pela perspectiva da falha da segurança dos EUA e pela perspectiva da guerra política entre os cristãos estadunidenses e os mulçumanos do oriente, teremos o mesmo olhar: um olhar de lamento, de luto, de revolta e de enfrentamento. Com esse mesmo olhar todo mundo já viu e já falou o mesmo. O que eu quero chamar a atenção é para o significado que tem quando as torres do coração de uma nação é destruída. Ou melhor, quando as torres do nosso coração são destruídas.

Às vezes, essa tragédia e esse luto dos estadunidenses parecem distantes de nossa realidade. Mas se olharmos pra dentro de nosso coração, encontraremos muitas torres erguidas ou destruídas e sentiremos uma empatia que nos aproxima mais deles. Quando as torres caíram, não foi apenas dois prédios desmoronados e milhares de pessoas mortas que os americanos viram naquele dia. Foi muito mais do que isso. A nação estadunidense viu naquele dia seu poder, sua segurança, sua beleza, seu status internacional, sua riqueza, seu império e a glória do seu coração serem destruídos quando as torres caíram. Porque as torres representavam o que o coração dos estadunidenses mais amavam na vida.

Da mesma forma, durante nossa historia, construímos torres em nosso coração e nos abrigamos nelas. E ainda, vemos essas mesmas torres serem destruídas pelos mais variados atentados da vida nos deixarem desabrigados e inseguros. Estas torres do coração podem ser sonhos a serem alcançados, projetos de vida realizados, relacionamentos a serem conquistados ou já conquistados, utopias políticas, tradições religiosas, esperança de um mundo melhor, busca de um corpo saudável, status social, família, amigos, valores morais, partido político, experiências espirituais, uma profissão de sucesso, poder, riqueza, sexo, uma viagem de férias, estilo de vida, uma história de uma vida toda, o que mais amamos na vida, ou tudo aquilo que firmamos nossa vida para nos dá segurança de vida.

Mas, isso tudo não passa de uma falsa segurança de vida. Porque somos vitimas de muitos atentados quando uma frase ou um gesto maldoso e traiçoeiro machuca; quando uma acidente mata quem nós mais amamos; quando os negócios nos deixam falidos; quando um filho que nasceu doente paralisa toda a família; quando o exame que deu positivo nos derruba na cama; quando a depressão nos sepulta num quarto escuro; quando um derrame ou uma parada cardíaca chega sem avisar; quando a notícia que a filha esta grávida ou que o filho esta se drogando culpam a paternidade por fracasso; quando o cônjuge pede o divórcio e fere o coração; quando o patrão demite; quando a insonia traz a culpa das dívidas financeiras; quando o que mais se ama na vida é destruído; ou, simplesmente, quando as torres que construímos em nosso coração são destruídas pelos atentados da vida.

Mas quem derruba e destrói as torres do nosso coração? Deus? Alguém? Nos mesmos? Muitas podem ser as respostas dependendo do ponto de vista. Mas podemos ousar dar uma das muitas respostas e dizer que quem nos derruba é a nossa limitação, vulnerabilidade, fraqueza e finitude humana diante da vida. E estas, não fazem aniversário apenas no dia 11 de setembro, mas, fazem todos os dias.

Passamos a vida toda construindo torres dentro do nosso coração. E num piscar de olhos, numa rápida sucessão catastrófica de desgraças, perdemos tudo o que temos e tudo o que somos. Depois lamentamos pela destruição delas, tentamos reconstruí-las ou construímos outras no lugar. Passamos nossa existência buscando abrigo nas torres do nosso coração para encontrar sentido nesta vida soterrada sob os entulhos do sofrimento da vida e sob o terreno baldio e sagrado de nosso coração. Quando as torres de nosso coração são derrubadas e destruídas sofremos pela perda de nosso bem maior e pela destruição daquilo que é a nossa identidade e nosso sentido de vida. É inevitável não chegar a conclusão de que as torres do coração não permanecem para sempre, não preenchem nosso coração por não ser nossa identidade segura, nem nos oferecem razão de viver porque sempre são destruídas. As torres são sempre destruídas para demonstrar nosso coração vazio e carente; e demonstrar nossa fraqueza, insegurança, vulnerabilidade e finitude. Assim, não adianta mais construir nenhum tipo de torre que seja o centro do nosso coração. Ou seja, toda torre construída em nosso coração, um dia cairá.

O livro de Gênesis da Bíblia Sagrada nos conta a história de uma torre inacabada, chamada torre de Babel. Essa historia bíblica nos conta que os homens planejaram construir uma cidade com uma torre que alcançasse os céus a fim de que eles se tornassem famosos e não se espalhassem pela face da terra. Dessa maneira, eles estavam se rebelando contra o mandato cultural de Deus de crescer e multiplicar. Nessa historia, construir a torre era um ato de rebeldia contra Deus. Mas podemos dizer que antes de construírem a torre de Babel no concreto, eles construíram a torre de pecado no seu coração. A torre de Babel representava um ato de rebeldia e de independência de Deus. E como reprovação divina, Deus não permitiu que a construção da torre fosse terminada e confundiu a língua de todo mundo. E dali o Senhor os espalhou por toda a terra (Gn 11.1-9).

No Novo Testamento da Bíblia Sagrada, em vez de encontrar abrigo e segurança nesse tipo de torres do coração, Jesus nos ensina a morar na casa do Pai. A torre do coração é um lugar de prepotência, independência e de rebeldia contra Deus. Já, a casa do Pai é um lugar de salvação, um lugar de segurança e dependência e de relacionamento íntimo de amor com Deus Pai. A parábola dos dois filhos perdidos contada por Jesus no livro de Lucas 15. 11-32 registra Jesus indicando a casa do Pai como um lugar seguro de relacionamento de amor com Deus Pai para nossa vida aqui e agora com Ele. Além disso, no livro de João 14.2, Jesus promete que irá para o Pai que esta nos céus, mas voltará em breve para buscar os que são seus para morarem eternamente na casa do Pai, a fim de viverem ao lado de Jesus por toda a eternidade. Para completar, Jesus ainda disse no livro de Mateus 7.24,5 que quem ouve as palavras dele é como um homem prudente que construiu sua casa alicerçada sobre a rocha. E quando a caiu a chuva, transbordaram os rios, sopraram os ventos contra aquela casa, mas ela não caiu. Isso quer dizer que a Palavra de Deus é segurança e sabedoria para não nos perdemos durante os atentados da vida. E se Deus não edificar nossas vidas, todo nosso esforço, trabalho e mérito para nos dá a nós mesmo a segurança que queremos será em vão. “Porque se o Senhor não for o construtor da casa será inútil trabalhar na construção” (Salmos 127. 1a).

Não tem como negar que nossa vida esta cheia de datas como 11 de setembro que marcam grandes perdas, tragédias e destruições em nossas vidas. Quando Jesus nos apresenta sua casa como o melhor lugar para se viver, ele não esta falando de mais um lugar físico de concreto que pode ser derrubado a qualquer momento, nem falando de templos religiosos feitos por mãos humanas. Mas em vez disso, a casa de Deus é a figura usada por Jesus para nos ensinar a desfrutar de um relacionamento com Deus, para crer nele para a salvação eterna e para obedecer suas palavras a fim de nos proteger com prudência das catástrofes da vida. Isso quer dizer que datas como 11 de setembro podem destruir as torre do nosso coração, mas nunca poderão destruir nosso amor incondicional e desinteressado por Deus.

Mesmo vivendo em cenários de insegurança, vulnerabilidade e finitude, o amor que Deus tem por nós nunca se acabará. E mesmo que dias como aquele 11 de setembro nos atinjam com tribulação, angústia, perseguição, fome, nudez perigo ou espada, nada será capaz de nos separar do amor de Deus que está em Jesus Cristo, nosso Senhor (Rm 8.35 e 39). Esta é a grande segurança que podemos ter: morar na casa de Deus Pai tendo o nosso coração preenchido pelo seu infinito amor.

Assim, quando as torres do seu coração for mais uma vez destruída, reconstruída e você viver lamentando pelos cantos, lembre-se de voltar sua atenção para sua condição humana de pecador afastada de Deus e voltar para casa do Pai. Lembre-se que fomos criados por Deus e para Deus. Assim, nossa vida terá sentido e nosso coração será preenchido quando Deus entrar em nosso coração. Porque é somente em Deus que encontramos segurança eterna, sentido para vida e amor para viver. Quando Deus entra em nosso coração, ele se torna nossa fortaleza, nosso refúgio e nosso socorro nos dias das tragédias, perdas e destruições da vida. Por isso podemos dizer que “No dia da adversidade ele me guardará protegido em sua habitação, no seu tabernáculo me esconderá e me porá em segurança sobre um rochedo” (Sl 27. 5). E somente “Deus e o meu aliado fiel, a minha fortaleza, a minha torre de proteção e o meu libertador, e o meu refúgio, aquele em quem me refugio" (Salmos 144.2). Porque quando moramos na casa do Pai, nada poderá nos separar do amor de Deus que está em Jesus Cristo, nosso Senhor. E quando Deus está em nosso coração, nossa vida inteira passa a ser de propriedade exclusiva de Deus (I Pe 2.9). E mesmo quando sofremos pelas perdas, sabemos que nunca perderemos Deus, porque ele é nosso bem maior e nunca vai se separar de nós. Por isso, saia da torre do seu coração e venha morar na casa do Pai. Esse é o melhor lugar pra se você viver.

Oremos: “Tu és o meu refugio e a minha fortaleza, o meu Deus em quem confio" (Salmos 91.2). Por isso, “uma coisa peço ao Senhor e a buscarei: que eu possa viver sempre na casa do meu rei” (Salmos 27.4)

Em Cristo, nossa fortaleza

Jairo Filho

Escrito em setembro de 2006.

Amnésia social


Os fatos ocorridos no final de semana de 12 a 14 de maio de 2006 marcaram a história da violência em nosso país. Uma onda de ataques premeditados do crime organizado se espalhou por algumas cidades do Brasil. Começando com rebeliões nas cadeias de São Paulo e culminando em ataques a bases comunitárias da polícia, a delegacias, a bancos, a policiais, bombeiros e civis nas ruas, o crime organizado matou mais de 100 pessoas nesses três dias de violência. Isso evidenciou mais uma vez o alto índice de violência e a fragilidade da segurança pública de nosso país.

A sociedade reagiu com medo, desespero e insegurança. Nossas autoridades reagiram com discursos corajosos e imponentes a fim de mostrar a população segurança e enfrentamento a essa onda de violência. São Paulo, a principal cidade vítima desses ataques, viu seus cidadãos de bem fugirem e se esconderem trancados em suas próprias casas, enquanto os bandidos agiam soltos pelas ruas da cidade. E os policiais valentes marchavam nas ruas para proteger a população e combater os ataques, enquanto ouviam e obedeciam aos discursos enraivecidos e as ordens das autoridades do estado e da polícia, e os protestos da mídia e da população contra os ataques da organização criminal.

Enquanto isso, ainda sob o efeito dos ataques, a mesma população vítima dessa violência relaxa um pouco ouvindo atentamente a lista dos convocados da seleção brasileira de futebol para a copa do mundo na Alemanha. O clima da festa da copa do mundo começa a se criar e a se espalhar no coração dos brasileiros tão sofridos. A mídia se divide em mostrar o luto das famílias que perderam seus parentes policiais que defenderam o Brasil contra a violência no dias das mães, e em mostrar outras famílias comemorando a convocação de seus parentes jogadores para defender o Brasil na copa. Diante disso, surge um sentimento de euforia que se expressa pela alegria do clima da copa e o desespero pelo clima de violência que invade nossa sociedade.

O que mais preocupa é que nós brasileiros sofremos constantemente de amnésia social. É muito fácil esquecermos nossas lutas, desafios e ideais por um Brasil melhor quando somos anestesiados por entretenimento alienante. Parece que a mídia formata e domestica nossa mentalidade crítica, nossas emoções e reações. Se o efeito entorpecente da mídia quiser anestesiar nosso furor de luta e protesto fará com doses de amnésia social e nos levará para onde ela quiser. Isso é fácil: Naquele fim de semana, o brasileiro esqueceu os escândalos políticos dos candidatos à presidência e agora vai esquecer rapidamente a luta contra o crime organizado quando o futebol moleque do Brasil balançar as redes dos campos alemães na copa. O povo cai no esquecimento muito fácil em troca de um punhado de espetáculo e entretenimento alienante. E a mídia se diverte ganhando audiência e capital e nos diverte com aminésia social.

É claro que nem só de lutas, protestos, violência, sofrimento e dramas vivem os brasileiros. Mas também nem só desses entretenimentos alienantes sobrevivemos. Sabemos do poder que a mídia tem de informar e de nos formar. Mas ao mesmo tempo em que a mídia nos mostra a violência e a denuncia, também domestica nossas críticas e ações políticas quando aplica doses de amnésia social a base de entretenimento. E o resultado é que nossos maravilhosos problemas sociais são jogados para debaixo do tapete do esquecimento.

E o que falar dos cidadãos cristãos? Somente a CNBB reagiu apoiando a reação com força da polícia e criticando o sistema judiciário e carcerário do Brasil. E agora pergunto: Onde estão os evangélicos nessa hora? Onde estão agora os milhares de evangélicos que marcham pelas ruas da cidade cantando corajosamente que “o nosso general é Cristo, seguimos os seus passos, nenhum inimigo nos resistirá” e declarando que “O Brasil é do Senhor Jesus”? Onde está o protesto dos protestantes contra a violência? Não vejo a igreja evangélica inconformada com este século violento. Vejo uma igreja alienada, arrebatada e isolada da realidade sócio-político de nosso país.

E o que devemos fazer? E o que devemos ser? Não é fácil responder, mas temos que propor e agir: Protestar e lutar contra a violência enquanto torcemos pelo futebol brasileiro sem se esquecer dos desafios que estão por aqui. Esperamos que após a copa o brasileiro não continue com o espírito de torcedor nas eleições, mas que seja um eleitor engajado socialmente, um cidadão consciente, crítico e agente de transformação social e histórica do nosso Brasil. Não podemos nos deixar levar pela formatação da mídia em nossas mentes e ações. Temos que ter um olhar crítico e uma ação rápida e urgente para não nos conformar com este momento de violência e corrupção. Assim, só assim, vamos tentar melhorar o Brasil e dá outro rumo a nossa história, além de querer tanto o Hexa.

Em Cristo, que convoca os pacificadores inconformados com esse século para viverem o Reino de Deus apartir do aqui e agora

Jairo Filho

Escrito em 15/05/2006

O que Jesus diria sobre o caso Isabella Nardoni?



Quem não tem acompanhado o caso Isabella? A mídia nos tem bombardeado há mais de 1 mês com esse caso, acompanhando cada passo desse trágico e misterioso assassinato de uma menina de 5 anos jogada do 6º andar de um prédio. Segundo as notícias que recebemos da mídia, a polícia tem provas suficientes para indiciar o pai e a madrasta de Isabella por homicídio qualificado, mas os advogados do casal trabalham na hipótese de uma terceira pessoa no local do crime que teria assassinado a menina. E do jeito que a mídia conduz as notícias - interpretando o caso e nos induzindo a condenar o casal – houve uma comoção nacional fazendo a população se autojustificar dando seu veredito com sede de vingança e ódio.


Diante disso, o que Jesus diria sobre o caso Isabella? Em Mateus 5:21-26 lemos Jesus interpretando o espírito do mandamento “não matarás”. Jesus nos alerta que, para os religiosos, a interpretação desse mandamento reduzia o homicídio à morte física. Assim como nós, os religiosos enchiam seus corações de justiça própria – porque nunca mataram fisicamente ninguém - apontando o dedo condenatório na cara dos homicidas. Além disso, a maior motivação do coração dos religiosos em não matar ninguém fisicamente era o medo e a culpa de “quem matar estará sujeito a julgamento”. Então, o jeito dos religiosos reprimirem o homicídio era a punição. Mas esse tipo de repressão produz uma mudança falsa de fora para dentro.

Ao se deparar com esse quadro de interpretação da letra da lei, Jesus chega e acaba com essa incorreta versão religiosa da lei, interpretando e cumprindo o espírito da lei do jeito da vontade de Deus. Ao fazer isso, Jesus revela e desnuda o coração pecador do homem para transformá-lo verdadeiramente de dentro para fora. Jesus nos ensina que o homicídio é criado dentro do coração pecador antes de ser consumado de fato pelas mãos. E assim, todos nós, sem exceção, somos homicidas pela natureza de nosso coração pecaminoso. Diante disso, Jesus diz que existem três maneiras de matar o próximo:  

(1) A ira mata – “Eu, porém, vos digo que todo aquele que [sem motivo] se irar contra seu irmão estará sujeito a julgamento...” Este é o sentimento de ira que leva ao ódio.  

2) A ofensa mata – “...e quem proferir um insulto a seu irmão estará sujeito a julgamento do tribunal...” Esta é a ira expressa em violência verbal.  

(3) O desprezo mata – “e quem lhe chama: Tolo, estará sujeito ao fogo do inferno”. ( “Tolo” é o termo aramaico para desprezo, indiferença). Esta é a ira que exclui o próximo e cruza os braços deixando-o morrer agonizando de dor.

Em resumo, Jesus diz que a ira, a ofensa e o desprezo matam a alma do próximo da mesma forma de quem mata o outro fisicamente. Porque, para Jesus, “de dentro, do coração dos homens, é que procedem os...homicídios...” (Mc 7:21) quando excluímos o próximo da nossa vida ao ferir o seu coração com ira, ofensa e desprezo. Com isso, Jesus nos diz: Atire a primeira pedra no casal Nardoni quem nunca jogou alguém do 6º andar de nossas vidas. Ao ouvir essas palavras de Jesus, entendo que em muitos momentos nossa ira, ofensa e desprezo jogam muitas pessoas do 6º andar de nossas vidas.

Assim, ouso dizer que somos a terceira pessoa do caso Isabella quando nos justificamos ao condenar o casal com ódio e vingança. E ainda, quando nos esquecemos que, segundo Jesus, somos tão homicidas quanto quem joga uma criança do 6º andar. Perceba como Jesus nos leva a sondar nosso próprio coração para enxergarmos a nossa natureza pecaminosa de homicidas em potencial e nossa extrema carência de sua graça redentora.  É nesse momento que a graça de Cristo surge ao indicar duas soluções para te libertar das grades do homicídio.
(1) Se você tem jogado fora algumas pessoas da sua vida “deixe perante o altar a tua oferta, vai primeiro reconciliar-te com teu irmão; e, então voltando, faze a tua oferta” (Mt 5:24), porque sem reconciliação com teu irmão não há verdadeira adoração.

(2) Ou se você é quem está sendo jogado fora da vida dos outros, “vá e, a sós com ele, mostre-lhe o erro. Se ele o ouvir, você ganhou seu irmão.” (Mt 18:15). Ou seja, Jesus deseja a ressurreição daqueles que matam e/ou morrem na guerra dos relacionamentos.

Cristo chama tanto o ofendido quanto ao ofensor a vencer o orgulho, tomando, cada um, a iniciativa de mostrar a outra face do perdão com a reconciliação. Ofereça o perdão que você recebeu de Deus perdoando e reconciliando-se com seu próximo. Imite a Cristo dizendo: “Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que estão fazendo” (Lc 23:34). Isso quer dizer que negar perdão é destruir a ponte que você já passou e tem que passar todos os dias. Por isso, não deixe a reconciliação para amanhã se você pode fazer hoje. Amanhã pode ser tarde demais.


Em Cristo, em quem temos o ministério da reconciliação

Jairo Filho

OBS: Texto escrito em março de 2008.
Related Posts with Thumbnails