segunda-feira, 27 de setembro de 2010

O significado dos milagres de Jesus


Para se entender o significado dos milagres de Jesus é preciso entender sua chave interpretativa. O evangelho de João nos oferece a chave interpretativa dos milagres, movimentos e ensinamentos de Jesus. E para entendermos o significado dos milagres de Jesus temos que fazer duas perguntas para o evangelista João:

(1) Quantos milagres foram feitos por Jesus? “Há, porém, ainda muitas outras cousas que Jesus fez. Se todas elas fossem relatadas uma por uma, creio que nem no mundo inteiro caberiam os livros que seriam escritos.” (Jo 21:25). Ou seja, o evangelista João nos diz, por meio de uma hipérbole - que é uma figura de linguagem que aponta para um exagero intencional com a finalidade de tornar mais expressiva sua idéia – quando nos diz que os feitos de Jesus são imensuráveis a ponto de que se fossem registrados em livro, mesmo numa biblioteca do tamanho do mundo, não caberiam no universo. Isso quer dizer, em outras palavras, que os feitos de Jesus são incontáveis. Sendo assim, podemos concluir que muitos outros milagres de Jesus não foram registrados, uma vez que o evangelista João afirma que “Na verdade, fez Jesus diante dos discípulos muitos outros sinais que não estão escritos neste livro.” (Jo 20:30).  Apenas alguns milagres foram selecionados para serem registrados nos evangelhos. Mas diante disso, surge outra pergunta: Por que este e não aquele milagre foi registrado? Isso significa que os milagres foram escolhidos a dedo. Somente os milagres selecionados pelo evangelista inspirado pelo Espírito Santo foram registrados. E se foram registrado, eles têm um propósito de estarem na seleção dos milagres. Então, surge a segunda pergunta:

(2) Qual o propósito do milagre? Da mesma forma, o evangelista João responde: “Estes, porém, foram registrados para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome.” (Jo 20:31). Está respondido: Os milagres foram feitos por Jesus e registrados pelos evangelistas para gerar fé em Jesus como o Cristo, o Filho de Deus, e todo o que crer nele, tenha a vida eterna. Ou seja, os milagres têm o propósito de gerar discípulos de Jesus. Isso acaba com qualquer conceito de que os milagres são apenas uma demonstração de poder de Deus, do poder de quem pede ou do poder de quem os recebe; ou de que os milagres são realizados apenas para satisfazer a curiosidade do pedinte; ou os milagres são feitos apenas para satisfazer temporariamente os gulosos e insaciáveis desejos consumistas do fiel; ou ainda, cai por terra o discurso religioso de que os milagres tem que acontecer por que é a obrigação de Deus em cumprir seu papel na barganha feita pelo crente fiel.

No evangelho de João, o milagre da multiplicação de pães e peixes é considerado o quarto sinal que aponta para a identidade messiânica de Jesus. E é interessante notar que este milagre é o único que aparece em todos os quatro evangelhos (MT 14:13-21; Mc 6:32-44; Lc 9:10b-17). E também é interessante notar que todo milagre de Jesus é chamado de sinal por João, como interpretação de que o milagre aponta para a identidade e obra de Jesus. Sendo assim, podemos perceber que esse milagre é especial, uma vez que foi registrado pelos quatro evangelistas. E se foram registrados é porque esse milagre tem muito que revelar sobre a identidade de Jesus e produzir fé salvadora e discipulado.

Agora volte mais uma vez os olhos para o texto sagrado e perceba que o objetivo dos milagres é gerar um relacionamento de fé salvífica e discipulado no relacionamento contínuo entre Deus e quem recebe o milagre. E além do mais, mesmo que nós não recebamos os milagres hoje, mesmo assim, os milagres de Jesus já foram feitos e registrados de uma vez para sempre para que todos creiam em Jesus para a salvação e discipulado. Isso implica dizer que se Deus não fizer agora o milagre que tanto desejamos, não temos o direito de ameaçar Deus de abandoná-lo com nossa incredulidade; uma vez que, nossa fé está na Palavra de Deus de que ele já fez milagres para evidenciar sua identidade messiânica de salvador do mundo. E Deus não necessita mais provar, periodicamente a cada geração e a cada indivíduo, por meio de milagres, a sua identidade de que ele é o Senhor e Salvador de todos. Até porque temos muitos exemplos na Bíblia, na nossa vida pessoal e íntima de fé, e na experiência religiosa nos templos negociadores de milagres que ninguém, necessariamente, se torna salvo e continua firme na fé como discípulos de Jesus baseado, exclusivamente, nos milagres recebidos.

Vejamos alguns exemplos: Na Bíblia, para satisfazer nosso interesse e objetivo, só basta citar dois exemplos. O primeiro se encontra na época dos juízes. O ciclo dos juízes é composto por uma reincidência contínua de apostasia, idolatria, opressão, ruína, arrependimento, clamor, livramento, restauração e trégua. E logo após a trégua, começa a apostasia novamente, completando um ciclo vicioso continuo e ininterrupto de pecados. Ou seja, após o milagre recebido, o povo se volta para a amnésia espiritual cheia de murmuração e ingratidão pelo milagre recebido, quando se deleita impiamente no pecado da apostasia cheia de incredulidade. Outro exemplo bíblico está no encontro de Jesus com os dez leprosos (Lc 17:11-19). Como sabemos, os 10 leprosos foram curados de sua enfermidade física, mas apenas um voltou para agradecer com fé em reconhecimento à identidade de Jesus. E este foi salvo, curado também de sua enfermidade espiritual de pecado. Ou seja, a maioria dos que recebem os milagres de Deus, imediatamente se esquecem de agradecer e ter um vínculo afetivo de amor e submissão com fé para a salvação e discipulado. A maioria só busca Deus para receber os milagres de suas necessidades efêmeras, materiais e físicas; e não querem as bençãos eternas da salvação e da cura espiritual do pecado pelo perdão Deus.

Semelhantemente, temos o exemplo pessoal de fé. Sabemos que nós já recebemos muitos milagres extraordinários de Deus, mas muitas vezes esses milagres são logo esquecidos e Deus é colocado para escanteio em nossa vida. Estamos cansados de perceber muitas pessoas alcançadas pelos milagres da graça de Deus ficarem alegres no primeiro momento e responderem com a promessa de consagração e gratidão servindo ao Senhor. Mas, com o passar do tempo, aquele que recebeu o milagre esquece da promessa feita e volta a pecar continuamente e a cruzar os braços diante do serviço na obra do Senhor.

Da mesma forma, os templos cristãos estão lotados de pessoas buscando, exclusivamente, os milagres; e quando os recebem, abandonam a Deus. As portas dos fundos dos templos estão sendo mais largas do que as portas de entrada. A maioria que entra é a mesma que sai imediatamente após o milagre ser recebido. Isso acontece, muitas vezes, porque os milagres são vendidos nesses templos. E venda é negócio, e negócio exclui qualquer laço afetivo da graça de Deus. Com isso, há o trânsito variável e mutante de fiéis que entram e saem despidos de um discipulado radical de serviço em amor a Deus.

Notando esses exemplos bíblicos, pessoais e religiosos, podemos confirmar a tese de que os milagres feitos por Jesus são sinais que evidenciam a revelação da identidade messiânica de Jesus como Senhor e Salvador. Estes sinais foram registrados para produzir fé salvadora e discipulado em quem recebe ou testemunha os milagres.    

Em Cristo, o milagre que o mundo tanto carece 
Jairo Filho

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