quinta-feira, 26 de agosto de 2010

O reitor e o maltrapilho

Eis aqui a história do reitor da maior universidade do mundo. Ele está acima de qualquer suspeita por ser o mais conceituado, sábio, justo, irrepreensível e amoroso reitor de todos os tempos. É conhecido como um mestre por excelência – sua metodologia pedagógica é regeneradora e metamórfica. É conhecido por transformar indivíduos anônimos em pessoas conhecidas, maltrapilhos ambulantes em doutores do saber e da vida. Ele é o reitor da Universidade da Vida.

Essa universidade é muito concorrida. Todos querem matricular-se para viver nela. Muitos estudiosos tentam entrar por meio de todo tipo de esforço próprio. Fazem grupos de estudos rigorosos, são disciplinados, inteligentes, dominam o saber, buscam conhecimento o tempo todo. Muitos desses nerds, com sua suposta sabedoria, ofenderam o Reitor quando se intitularam mais sábios do que ele, se rebelando contra sua vontade e achando conhecedores do bem e do mal. Esses peritos do saber do bem e do mal sempre são reprovados no vestibular. Com isso, ninguém jamais consegue ser aprovado. A cada reprovação, uma decepção, um mistério a ser desvendado e um grito de injustiça é engolido seco pelos nerd's reprovados. Assim, ninguém consegue por si mesmo passar na Universidade da Vida para estudar aos pés do reitor, mestre da vida, mesmo que passem a vida toda estudando.
Pois, é impossível alcançar o alto índice de sabedoria do Reitor e ser aprovado em todas as perguntas com sua própria sabedoria. Enfim, ninguém consegue ser aprovado no vestibular por meio de seu próprio esforço acadêmico, nem seu currículo escolar, nem com sua própria sabedoria.
 

Mas um dia aconteceu algo absurdo e sem lógica. O amoroso reitor se revela: Sai de sua sala à procura de novos alunos. Para o espanto de todos, ele passa a conviver no meio de pobres, mendigos, analfabetos, marginais, ignorantes e loucos, a fim de matriculá-los na sua universidade da vida.

Ao sair de sua sala, o mestre dos mestres encontra um cenário de ignorância intelectual, violência lingüística, analfabetismo moral e pobreza de espírito. Sua compaixão se manifesta enquanto vê e toca em pessoas alienadas do saber. E decide matricular todos os loucos e analfabetos em sua universidade, por amor de seu nome. Mas, a partir dessa decisão, surge um dilema: Somente poderia entrar na Universidade da Vida quem passou merecidamente no seu vestibular. E isto é justo. É justiça. E agora, como fazer justiça?

O reitor, então, chama seu único filho e o desafia a estudar muito, no lugar de todos aqueles pobres de espírito. Seu filho, voluntariamente por amor ao seu pai e aos analfabetos maltrapilhos e débil mentais, começa sua jornada de estudos diários durante 33 longos anos de muito sofrimento mental e renúncia, solucionando problemas complicados e quase delirando nos labirintos do saber.

Até que chega o grande dia do vestibular. A concorrência é grande. Muitos chegam animados ao local da prova. Dentre a concorrência existem nerds, PhD’s e uma forte torcida contra o filho do reitor. Todos eles com inveja, reclamando seus direitos perante suposta injustiça.

O cartão de inscrição do vestibular do filho do reitor indica o prédio Calvário e a carteira com o formato de cruz como sendo o lugar para fazer tão terrível prova. Após longas horas de sofrimento mental, emocional e espiritual, o filho do Reitor conclui a prova, mas seu corpo se esgota, ultrapassando seus limites. Três dias depois, sai à lista dos aprovados. Todos correm ansiosos pra ver o resultado. Mas, para o espanto de todos, o único que foi aprovado com nota máxima foi o filho do reitor.

Após a aprovação de seu filho, o reitor vai ao encontro dos analfabetos e ignorantes. De uma maneira especial encontra um maltrapilho sujo, imoral, com sérias debilidades mentais, analfabeto e entrega o diploma de doutorado da Universidade da Vida. Esse maltrapilho, sem entender nada, olha pra si mesmo e diz que não merece tal diploma porque não estudou nada e nunca teria condições de passar nesse vestibular. O reitor, com um olhar de amor e justiça, diz que esse diploma foi conquistado pelo seu único filho quando foi aprovado no calvário, em seu lugar. O Reitor diz que este diploma é do seu filho, mas que está sendo entregue a todos aqueles que reconhecem que nunca poderão passar no vestibular por si mesmos. O reitor diz: “Agora, maltrapilho, torna-te o que tu és: um doutor. Você tem a vida toda para se tornar no doutor que você já é.” Então, com os olhos cheios de lágrimas e com o coração constrangido, aquele maltrapilho, confiando na suficiência da aprovação do filho do reitor como único e suficiente meio para entrar na Universidade da Vida, recebe o diploma e responde ao convite para matricular-se na Universidade da Vida.

A partir daí, o reitor e o maltrapilho começam a andar juntos e acontece a grande transformação. As aulas transformam o maltrapilho num ser humano digno e decente, com sede do conhecimento e amor pelo reitor. Enquanto passa a vida aprendendo, aquele homem maltrapilho sempre se lembra de que sua identidade foi marcada pelo reitor. Em resposta a essa bolsa de estudo e ao diploma recebido, o maltrapilho se dedica ao máximo para se tornar no que já é: um doutor.

Assim é o evangelho da graça de Deus. O diploma da salvação é conquistado unicamente por Jesus no vestibular da cruz. É dado imerecidamente para os maltrapilhos analfabetos e recebido com fé para transformá-los a cada dia no que já são: PhD salvos e santos. Receba a graça da salvação e durante toda a tua vida, torna-te o que tu és.

Em Cristo, o Reitor-Filho, o Filho-Reitor
Jairo Filho, o doutor-maltrapilho, o maltrapilho-doutor.

Um comentário:

  1. Lindíssima analogia! Pastor, estou enviando uma DM no twitter. Abraços

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